O fim do Manda-Chuva?
- Jul 7, 2016
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Cunha, enfim, jogou a felpuda toalha presidencial. Para tentar evitar a contagem regulamentar do tempo, e o consequente gongo parlamentar, que ainda terá de ser batido, saiu das cordas do canto do ringue para o nocaute técnico.
Algoz e vítima do próprio linchamento em praça pública, cansado de apanhar de dois dos três poderes, a costumeira fleuma não resistiu aos golpes. Quem disse que não ia ter?
Teve e muito, de todos os lados, na verdade contragolpes aplicados por multidões de representantes dos lesados pelo singular crápula, curiosamente vencido pelo salto alto calçado em uma CPI dominada por ele mesmo.
Cunha sentiu o golpe; chorou. Se as lágrimas derramadas são oriundas de crocodilo, provavelmente chegaram ao Brasil importadas de forma fraudulenta por parte de alguma cooperativa de répteis usufrutários do Rio Nilo, que irrigava as contas pelos canais do trust mantenedor.
Renan há de saber, decerto republicanamente, do jabuti embarcado em alguma medida provisória com visto de permanência.
Já os couros dos terríveis animais, talvez torturados para a obtenção do cobiçado líquido lacrimal, costumam ser exibidos por sua arregalada cara-metade após processamento nas grifes europeias, já que, aqui, é sabido que jacaré no seco anda. E atola na burocracia do IBAMA, instituto sempre perdido nas florestas de audiências públicas.
Cunha molhou a toalha de lágrimas. Desde pretéritos escândalos alagoanos, românticos tempos dos Bulhões em vez dos atuais bilhões, sabemos que surra de toalha molhada não deixa marcas visíveis aos peritos do IML. Pura perícia.
Entretanto, dado que ele é um dos Cardeais visados como troféus da Lava-jato – e não vai aqui qualquer tentativa de alusão ao recém conduzido coercitivamente Valter -, este sim um premiável delator, por suas clandestinas ligações com quem promoveu a ruína do setor elétrico, notadamente o para-raios de quem estoca ventos, tal gato há de subir no telhado para lá ficar, sozinho ou acompanhado da ilustre família, no sub-topo da cadeia alimentar.
A menos que, com sua toalha molhada pela dor da solidão, o Gênio negocie na cadeia para atingir inapelavelmente o gato gordo da famiglia, já próximo da sétima vida, a exemplo de Renan, este no meio da segunda encarnação felina. Como ninguém entende o que Dilma fala, só Cunha poderá entregar o Manda-chuva ao Moro, segundo Marilena Chauí, a filósofa do PT, o guarda Belo treinado pelo FBI para nos tirar o pré-sal, especialidade africana de Cunha.

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