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Salto alto

  • Aug 8, 2016
  • 2 min read

Não sei como anda o estado da arte das operações para mudança de sexo no âmbito da FIFA, e muito menos como os velhinhos da International Board, sabidamente avessos a quaisquer tipos de novidades científicas, encarariam uma maciça travessia transgênero no futebol, mas, por aqui, há pouco tempo até o final das eliminatórias de 2018.

Ainda que circunscrita ao campo da burocracia, às quatro linhas que limitam as regras do esporte bretão, valeria a palavra da candidata à seleção masculina, com a simples apresentação de documentos? Ou, melhor dizendo, para fugir da marcação cerrada do mau gosto e da possível cobertura do baixo calão, com meras provas documentais?

Noves fora os hormônios no antidoping, e a necessária vista grossa para as dosagens naturais de testosterona e progesterona, há esperanças, sobretudo se o time de Hillary Clinton vencer. Lá, não aqui, onde poderiam ficar com a prata.

Confesso que, antes da Marta, sempre assisti aos jogos da seleção feminina de má vontade, isso quando assistia. Depois dela, passei a ver o verdadeiro fenômeno de testemunhar a saga de uma adulta jogando com e contra um bando de crianças. O caso, pelo menos aqui, é que essas crianças cresceram. Tomaram corpo por meio do belo exemplo dela, beneficiadas pelo fim do preconceito, colocado pra escanteio pela nova geração, absurdo que nunca houve nos States, onde o soccer é praticado em larga escala pelas garotas.

Falo com a experiência de um pai cuja filha sempre praticou o esporte, incentivada por mim desde os primeiros chutes, que incluem os de bico, redimidos por Romário para descrédito de boa parte da crônica esportiva que nunca jogou bola na vida, que nunca precisou finalizar sem espaço; e não o marcado em laudas. Orgulho paterno à parte, ela joga bem, muito melhor que muito marmanjo metido a craque. Afinal, o equilíbrio instável no salto alto ou plataforma, considerada a exigência da musculatura da panturrilha, deve ajudar de alguma forma.

O fato é que têm mais e mais meninas jogando bola, tenho que reconhecer, sobretudo pelo conjunto, começando pela zagueira Rafaelle minha colega de profissão e de amor à bola. O jogo contra a Suécia, país onde a Marta é estrela, foi muito legal de ver. O quarto e o quinto gols mostraram a evolução do esporte. O quarto pela levada de chilena, o quinto pelo domínio e o chute perfeitos.

Sempre disse – e torno a dizer - que futebol é clube. Seleção pode ser boa se tiver tempo de treinar e jogar à vera, o que não é o caso da formada às pressas pela rapaziada que não subiu no salto alto, como alguns dizem por aí. Na verdade, estão brigando bastante, mas cada um por si. Jesus também. O Gabriel, que fique claro!

Derrotados pela ansiedade, vários gols foram perdidos nos dois jogos realizados em Brasília, talvez em punição à cidade que chupa boa parte do sangue pátrio. Mas ouso afirmar que Marta, Cristiane e Bia teriam vencido o Sobrenatural de Almeida, goleiro dos caras em dois lances.


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